domingo, 28 de setembro de 2008

El Grande Circo de la Vida


Parece que o tema do dia ficou mesmo a cause d’amour. Diria mais, se pudesse escolher um tema do mês este o seria. Acho que todos temos um tema do mês; até um tema para cada mês!
Hoje percebi como é curioso o caminho dos sentimentos. Ao pensar nas lágrimas conseqüentes de uma bela cena de filme me deparei com a carrascal epifania do exato momento da escolha; como é difícil essa senhora! Incrível, mas será que alguém já reparou nela? Ou melhor, já reparou em si mesmo e em como muitas vezes escolhemos conscientemente a trilha mais sombria e dramática àquela onde os pássaros cantam e até o Sol tem um sorriso. Como fazemos sem perceber a escolha de interpretar com dor uma cena e não com um sorriso. Como desapercebida a idéia que antes andava perigosamente na corda bamba da mente, finge um deslize pra cair do lado mais reconfortante da tão firme rede de tristeza; cuidadosamente construída ao longo dos anos; tecida pelas habilidosíssimas mãos de costureiras comiserativas, e nas quais confiamos nossa segurança ao despencar assim que os holofotes desviam para a próxima atração.
Foi chocante! Humilhantemente chocante! Pateticamente chocante distinguir esse momento esgueirando-se entre um frame e outro. Como será possível essa opção, minha gente?! Quem, em sã consciência, optaria pela dor ao riso?! Por que diabos essa senhora sentou e me olhou nos olhos enquanto escandalizada e paralisadamente eu a notava tentando uma passagem à francesa !?
E ainda piora! Descarada ela me acenou, se recompôs e continuou seu caminho. Porém não dessa vez tudo será como antes! Idéia tola que falseou essa queda para a minha sessão semanal de tortura, tomo-te pelo braço e trate de voltar ao seu curso. Agora com a licença da polícia da vergonha faça-se digna ao subir este mastro todo de volta à linha da vida. De lá volte a dar os passos e que mesmo primeiros inseguros, mantenham-se apontados para o horizonte. Abra os braços. Abra mais! Equilibre-se e caminhe firme! Olhe para frente e como quem tem o dever de chegar à outra ponta, busque o balanço da sabedoria e a balançada vergonha. Erga o queixo! Não olhe pra baixo ou pra trás! Quem liga pra dor que insiste em retornar? Que tal de solidão já conhecida coberta de incerteza tão tentadoramente numa mesa ao lado quer ser olhada e desejada? Respire fundo e pense nos quilos a mais de gordura trans esse bolo de tantas infelizes camadas vai te acrescentar aos flancos, desprezando o peso máximo que a frágil corda sustentará! Engole essas lágrimas! Ou melhor: nem as deixe molhar as pestanas! Barriga pra dentro e peito pra fora! Levanta essa cabeça e mova-se pro futuro pois quer saber, só você conhece o peso que já carrega, e esse jamais será confundido com absolutamente nada a não ser o músculo de suas pernas, braços e pescoço. Sem todos não há espinha dorsal que agüente a passagem por tão pouca superfície de contato. My dear mistress, don't never forget: the show must go on!

*(God give me strengh – Kristen Vigard)*