quinta-feira, 26 de março de 2009

Com licença, poética

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H oje lembro de voltar ao diário na esperança de uma luz-guia educada. Me perdoem os poetas...
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A cada giro que dou, cada passo e respiro me surpreendo comigo e com a vida que desenrola pra enrolar de novo. No dia em que me traço com linhas grossas e radicais pareço me desfazer ao fechar dos olhos numa noite mal dormida e encontrar pela manhã o mesmo papel vazio que já mesmo não é; apenas em branco mas com as marcas ainda da borracha.
Aí me levanto e saio correndo.
Mais um dia que rui.
Quando digo que sou, já fui.
Quando digo me rendo, me vejo caído e despido
Mas que no desvio submetido
Me levanto e aprendo
Ou penso que aprendo?
Fiquei mais sabido?
Ou será apenas momento?
Ao andar calmo a gente é assombrado pelas vozes da procura, q só ecoam no silêncio do vale dos corpos. O sozinho vai se desvelando um verbo no presente constante do indicativo da vida e é nele que a busca parece ruminar a repetitiva comida da alma cansada e apressada do dia-a-dia.
E nem adianta andar mais depressa. Se engana quem acha que a velocidade é o oposto da solidão.
Então busco companhia. Uma, duas ou três. Se der, ao mesmo tempo! Tudo em vão!
E mesmo assim ouço o silêncio disfarçado pelos amigos. Se engana quem acha que a multidão é o oposto da solidão.
Se o oposto da solidão existe, não tem qualquer feição humana.
E quando bato à sua porta
ele não me atende, mas só esse barulho me conforta.
Cada vez que amei e deixei de amar é a mesma saudade no fim-de-semana.
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Hoje não estou sozinho.
Hoje, me acompanho
e ainda carente
Pouco me importa ser entendido.
Pouco me importa fazer sentido.
Nem eu sou minha melhor companhia ,
mas na estrondosa aglomeração acelerada,
por hoje eu fui o meu presente.

segunda-feira, 2 de março de 2009

E o que fazer com a raiva?


Minha vida ultimamente tem se caracterizado cada vez mais pela inconstância; em especial das emoções. O que antes era sazonal passou a diário e daí pra momentâneo. Alguém mais é assim? Juro que já pensei na possibilidade de ser doença; ainda mais depois de ter estudado algumas na facu (mas me acho idiota demais por pensar nisso pra considerar de fato).

Ultimamente a única coisa constante é a raiva. Por um lado me consola ter ódio de uma pessoa que me prendeu tanto tempo na sua própria pena. Porém, por outro, ainda não consegui entender o por quê de ainda haver qualquer sentimento aqui. A raiva acho que veio finalmente pra me libertar, mas ela traz uma mágoa e tristeza que a fazem não ser tão divertida quanto deveria (pelo menos nesse caso).

Fico sem me entender porque o cliché maior dos estados de reabilitação é o de ‘reconhecer é o primeiro passo’ e, no entanto, de todo esse tempo que tenho pensado nisso, todos esses meses de confusões e mal-entendidos que se espalharam contaminando o meu redor, a única conclusão que pareço ter chegado é a de que essa raiva se dá não por ele, mas por ter envolvido a minha melhor amiga na situação. Ok. Supondo que essa seja a questão de fato, isso seria o ‘reconhecer’, certo? Então POR QUE eu ainda não esqueci isso? Que desgraça de mente doente que eu tenho que não simplesmente ignora isso tudo?

A raiva se espalha pra minha amiga. Não consigo aceitar a idéia deles ficarem amiguinhos, e se vendo, e saindo juntos blábláblá. Me sinto tão injustiçado nisso tudo. Nunca conheci esse lado meu, mas acho que sou daqueles que quando terminam um relacionamento quer que os amigos o suportem incondicionalmente, sabe? Quer os amigos do seu lado. E justo nesse momento encontrar a melhor amiga se tornando melhor amiga DELE ataca a qualquer defesa que eu tenha. Não consigo superar isso!!! Me sinto traído por ela não só pela situação mas também porque ela não consegue enxergar isso; entender o meu ponto de vista e ficar do meu lado. Aí vem gritando a palavra EGOÍSMO à cabeça. Agora, egoísmo de quem? Dela por não escolher o meu lado, entender o quão importante isso é pra mim e parar de menosprezar meus sentimentos nisso tudo ou meu por querer q ela faça essa escolha e submeta-se à minha vontade?

O que fazer quando parece que já tentamos de tudo?
E o que fazer com a raiva?
A real vontade?
Dar um socão na cara dele!
Sem entrementes...
...and live happily ever after!