segunda-feira, 11 de maio de 2009

A Idade da ...Dúvida


“(...)as questões individuais dominam; a história e a política aparecem como pano de fundo. Mathieu Delorme, procura a liberdade “pura”, sem compromissos de qualquer espécie. Brunet, ao contrário, personifica a renúncia da liberdade em favor do engajamento político. Daniel ilustra a tese, bastante difundida nos anos 30, de que o ato gratuito, sem qualquer motivo, é a única prova concreta da verdadeira liberdade. Na visão de Jacques, irmão de Mathieu, atingir a ‘idade da razão’ significa abandonar os sonhos juvenis sobre a liberdade e casar-se, ter um trabalho, uma vida regular. Mas nem Mathieu, nem Brunet, nem Daniel podem aceitar tal perspectiva, que implica, para eles, uma ‘morte interna’.”



Se eu pudesse saber qual das opções acima é a verdadeira, ou mesmo se nenhuma delas o é já me daria por satisfeito nesse momento da vida. Completo 27 anos e tenho motivos de sobra pra comemorar e não comemorar.
Já não é a primeira vez que conto isso, mas me chamou muito a atenção – desde o ano passado na verdade – quando na época contava estar fazendo 26, as pessoas quase que inevitavelmente faziam algum comentário do tipo “Tá chegando nos 30! Está ficando velho!” e riam. No início era apenas motivo de piada, mas tantos foram repetindo-se que me fizeram pensar. Sempre achei 30 uma idade sexy. É verdade! Acho pessoas de 30 interessantes (até q provem o contrário) e por projeção talvez, acho que esta é a idade em que você realmente dá um rumo na vida. Consegue O emprego, sai de casa, enfim... se torna um adulto de fato. Sendo assim sempre foi uma idade que sonhava alcançar, afinal, quem em sã consciência não quereria?
entrementes... depois daqueles tantos comentários comecei, pela primeira vez na vida, a ficar me sentindo com medo e não querer chegar aos 30. A questão é: não quero ficar/sentir/aceitar o tempo passando; o ‘envelhecer’; ou a proximidade com os 30 me faz encarar o fato que muitos dos meus planos ainda parecem longe de se concretizar, dentro daquela díade ‘trabalho-casa’? A terapia faz a parte dela, mas o que diabos me prende tanto e dificulta a concretização dessa cretina e fadigosa Monografia?!
São tantas incertezas, muitos questionamentos e quase nenhuma resposta. Mas será que existe resposta? Ou pior, PRECISA de resposta? Tudo me é sentido como uma grande e gorda mentira! A desculpa pra não fazer as coisas. Não sei O QUE aconteceu no passado que me fez PARAR! Era nítido que eu vinha numa maré alta de crescimento pessoal, fazendo um monte de coisas ao mesmo tempo, conseguindo emprego e até me desligando de coisas insatisfatórias na minha vida, me sentia crescendo, sabe? De repente... parei.
As coisas foram desacelerando, se acumulando, as frustrações aparecendo e eu me acomodando como um caquético e senil sujeito que espera a morte. É inevitável associar tudo com minha formatura, pensando bem. Aquela cerimônia, naqueles dias, onde todos se despedem, mesmo a maioria não estando de fato se desligando da universidade naquele momento, parece ter sido a mão que puxou meu fio da tomada. É patético como um ritual pode ser tão influente numa mente neurótico-obsessiva como a minha! “Eu não terminei a facu ainda, mas o exterior me expulsa. O exterior me diz que ‘é hora de dar tchau’. Então, em nome de uma ordem – ou duas – como bom obsessivo, devo acatar isso e parar!”

Se tivesse um só desejo, um só pedido que merecesse qualquer realização nesse momento a qualquer entidade em qualquer lugar, de qualquer realidade e possibilidade, pediria pra me dar força pra concluir. Me ajude a retomar as rédeas da minha vida! Não quero me abafar no trabalho que não escolhi para a vida, que era pra ser só um ‘bico’ e perder a disposição e a vontade legítima de correr atrás. Não quero perder a fé em mim. Não quero desistir quando deveria estar apenas começando. Nem abrir mão dos sonhos que garantiriam minha liberdade. À melhor idade da razão, Deuses, Inconsciente, Eu: Não me deixem morrer naquele que deveria ser meu renascimento; me inspirem!



“(...)Because they will try to convince us that we have arrived, that we are already there, that it has happened! Because we need to live in the place where we are truly alive, present, safe, and accounted for. Because we refuse to allow our writing, songs, art, activism and political histories to be suppressed or stolen. Because we refuse to be embarassed about the mistakes and faults and choose to move forward with a political agenda bent on freedom of all.”

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